Limites e Potencialidades da Responsabilidade Social Empresarial

As ações e projetos de Responsabilidade Social Empresarial (RSE) são importantes em diversos aspectos: na formação de consciência sociocultural institucional, na relação com as comunidades diretamente envolvidas nestes projetos, na relação com os diferentes stakeholders, e de forma mais ampla, com a sociedade. Porém, não devemos encarar estas ações como uma panacéia. É necessário uma correta abordagem e entendimento acerca do seu verdadeiro alcance.

Podemos identificar que existem limites, mas também potencialidades no conceito tão empregado ultimamente e que muitas vezes acaba sendo banalizado a ponto de se tornar "lugar comum" para indicar toda e qualquer ação "benemérita" realizada por organizações ou mesmo pessoas ligadas a elas. Não devemos confundi-las, por exemplo, simplesmente como atividades beneficentes ou filantrópicas. Não que estas atividades não sejam importantes. Toda e qualquer iniciativa que se proponha a prestar algum tipo de apoio ou assistência desinteressada, a indivíduos ou grupos que se encontrem em algum tipo de dificuldade, são dignas de apreço e admiração.

Importante notar que, quando dizemos "desinteressada", não estamos desqualificando ações institucionais que também visam melhorar a "imagem" de uma organização. Esse uso é legítimo, claro, desde que não acabe por constranger ou onerar de alguma forma o público atendido por determinada ação. O que importa é que a ação paute-se por "resultados satisfatórios" muito mais do que pela "propaganda" que se faz dela.

Outro equívoco verificado quanto às ações de responsabilidade social incorre da interpretação de que estas ações e projetos podem ou devem contribuir para resolver problemas e injustiças sociais. Evidente que existem exemplos de projetos dessa natureza que avançaram no sentido de contribuir nesse nível de resolução de problemas, porém, não necessariamente isto ocorre. Esta não é a regra, nem tampouco deveria ser. Injustiças sociais e distorções estruturais dessa ordem somente podem ser confrontadas a partir de políticas públicas que garantam o acesso universal a bens e serviços públicos. Estas políticas devem ser coordenadas a partir de ações governamentais em parceria com os mais amplos setores da sociedade, inclusive as organizações empresariais.

Queremos aqui, defender que é preciso ir além. É necessário que se avance no sentido do desenvolvimento de projetos que objetivem contribuir para a superação de carências e desigualdades. Da mesma forma, defendemos que estes projetos se insiram em articulações mais abrangentes da sociedade civil em parceria com os gestores públicos, para assim ampliarem o quadro de agentes institucionais envolvidos na elaboração e acompanhamento de políticas públicas. As organizações empresariais têm aí uma contribuição extremamente relevante a prestar.

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