Há cerca de quinze dias, uma matéria do jornal O Estado de São Paulo relatava um caso de indenização por suposta “discriminação racial” que uma grande rede de supermercados pagou à família de um garoto negro de 10 anos. O caso teria ocorrido no dia 13 de janeiro, e segundo depoimento da criança, ele foi abordado por três seguranças e levado para uma “sala reservada”, junto com dois outros garotos de 12 e 13 anos, onde teria passado por constrangimentos e discriminação.1
O pagamento da indenização no valor de R$ 260 mil reais foi fruto de um acordo extrajudicial em que a família do garoto abriu mão de representação por injúria racial. Ocorre que casos como este representam crimes muito graves de flagrante desrespeito aos Direitos Humanos e não deveriam ter seus processos encerrados após uma mera indenização ou “acordo”. Principalmente por ter uma criança como vítima.
O fato é que esta realidade vem se tornando rotina nas manchetes de jornal, o que de certa forma, a parte o caráter hediondo destas práticas de desrespeito e preconceito flagrante, demonstram que já não podem ser simplesmente despercebidos ou ocultados da sociedade como desde sempre o foram. Embora muito lentamente, cresce hoje a consciência de que antes de ser respeitado como consumidor o cidadão reivindica ser reconhecido como “sujeito de direitos”.
A “abordagem” a que estamos submetidos em grande parte dos estabelecimentos comerciais começa a sentir os efeitos de um padrão de comportamento que já não se permite ser objeto de preconceitos, de nenhum tipo. A empresa ou instituição que não levar isso em conta daqui pra frente estará sujeita a processos judiciais. Torna-se, porém, necessário e urgente que se preocupem em melhorar seu atendimento e preparar melhor seus funcionários e colaboradores.
É claro que ainda precisamos avançar muito na questão da educação para os Direitos Humanos. Estamos muito distantes de poder nos orgulhar e também nos reconhecer como uma sociedade que verdadeiramente respeita, protege e promove esses direitos. Fica, porém, a constatação de que cada dia mais, o tratamento respeitoso a todo cidadão, indiscriminadamente, deixará de ser apenas uma questão de “cordialidade” ou “boas maneiras” com o “cliente preferencial” para se tornar, de fato e de direito, uma questão de respeito ao cidadão.
1. O ESTADO DE SÃO PAULO – Cidades / Metrópoles – 21 de julho de 2011 (pág. C7)
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