Venho acompanhando com certo cuidado os debate sobre a Economia Criativa no Brasil. Recentemente, o Ministério da Cultura oficializou a instância administrativa que estará responsável por esse tema, a Secretaria da Economia Criativa (SEC). O governo Dilma entendeu que o tema deveria ficar vinculado a esta pasta, e vem discursando através da secretária Claudia Leitão, que coordena a SEC, que pretende valorizar a diversidade cultural brasileira e sua reconhecida criatividade enquanto oportunidades, através da cultura, do conhecimento e da tecnologia para o desenvolvimento social e econômico.
Ontem, 13 de junho, realizou-se em São Paulo mais um Fórum Brasilianas.org - evento organizado pela agência DinheiroVivo e pelo jornalista Luis Nassif - com o tema "Indústrias Criativas". Tenho participado de alguns debates desta iniciativa com temas interessantes e oportunos nas mais diversas áreas. Na sessão de ontem, a secretária Claudia Leitão iniciou o Fórum apresentando a missão e os desafios de sua pasta com relação ao tema em questão. O que me causa estranheza é justamente acompanhar esse discurso - da atual gestão do MinC sob Ana de Hollanda - e confrontá-lo com a prática corrente. Quando atuei na Representação Regional de São Paulo do MinC, como consultor do PNUD, acompanhei de perto programas e políticas como a implantação e fortalecimento da Rede de Pontos de Cultura e a institucionalização do Sistema Nacional de Cultura no Estado de São Paulo. A experiência possibilitada pelo Programa Cultura Viva, iniciado na gestão de Gilberto Gil no MinC e coordenada pelo então secretário de cidadania cultural Célio Turino, é reconhecida internacionalmente como uma nova maneira de gerir políticas e recursos para a cultura valorizando as iniciativas populares.
A atual gestão do MinC, embora não admita, mudou os rumos da gestão passada Gil / Juca Ferreira e tem dificuldades de tocar os projetos mais estruturantes da pasta, alguns arrastando-se a anos pelos corredores dos Congresso, assim como tem dificuldades com aqueles de maiores condições de propiciar o acesso a bens e serviços como o caso do Cultura Viva. Se existem dificuldades com a gestão da rede de pontos de cultura, como diz o MinC, e acredito mesmo que elas existam, não sejamos ingênuos, caberia a atual gestão corrigir e buscar avançar naquilo que reconhecidamente foi visto como virtudes nesses programas. Não é o que parece atualmente. O Cultura Viva hoje não é nem de longe prioridade para o Governo Federal, se é que um dia o foi. Ontem, durante sua fala, Claudia Leitão em nenhum momento citou o Cultura Viva e os Pontos de Cultura. Ora, se falamos de criatividade, diversidade, como não mencionar o mais inovador programa cultural que o MinC criou. Não esqueçamos de que falamos em Economia Criativa, e existem muitos pontos de mídia e cultura digital, por exemplo. A secretária apenas reconheceu a importância desses programas após minha provocação, quando a questionei acerca, no debate aberto após sua apresentação.
A SEC estará participando esta semana da Rio+20 e discursa sobre a importância de a Economia Criativa se articular com outras áreas e instituições governamentais e não governamentais, governos e iniciativa privada, ONGs e sociedade civil em geral. O que fica para a reflexão é pensar que, se aplicarmos a "novíssima" Economia Criativa sem considerar quem de fato representa nossa identidade e diversidade cultura, as iniciativas populares e o movimento cultural, o tema da moda facilmente será apropriado pelo mercado e a indústria cultural, se já não o foi. Quanto à Rio+20, falar de sustentabilidade apenas do ponto de vista econômico e ambiental, sem se considerar o social, é apenas mais uma falácia.
Sou professora do Júlio Ribeiro desde 2000 e estudei lá de 1981 a 1984.Meu blog está um pouco desatulizado, pois final de bimestre, provas para corrigir, notas para fechar....e estou fazendo pós graduação pela Unesp, muito textos, trabalhos....tá complicado.
ResponderExcluirGostei do seu blog, ainda mais que adoro o que faço e procuro estar sempre ligada no que está acontecendo no mundo. Estou preparando um texto sobre Rio+20.
Olá Eunice, que legal te encontrar por aqui. Também estudei no Júlio, de 1981 a 1985 e depois de 1988 a 1992. Talvez até nos conhecemos. Obrigado pelo comentário sobre meu blog, também estou precisando atualizar...
ResponderExcluirQuando concluir seu texto sobre a Rio+20 compartilhe, gostaria muito de ler.
Saudações,