A "nova classe média" e mobilidade social no Brasil


É fato que o poder de consumo do brasileiro cresceu muito nos últimos anos, comparado em termos relativos aos indicadores da década passada. Entre os fatores reconhecidamente responsáveis pela mudança, figuram: a estabilidade econômica e monetária, aumento real do salário mínimo e programas de transferência de renda voltados à população mais pobre. 

No entanto, se por um lado, o brasileiro está tendo mais acesso à aquisição de bens e serviços, por outro, com relação às mudanças estruturais da sociedade muito pouco, e em alguns setores quase nada, se avançou. Estou aqui falando das necessárias e "sempre" urgentes reformas estruturais que, de forma deliberada, não foram realizadas. As reformas tributária, previdenciária, trabalhista, sem falar das malfadadas reforma política e reforma agrária ficaram para o "Brasil 'sempre' do futuro". 

Não apenas em termos sociológicos é fato que apenas ter a possibilidade de se comprar uma geladeira nova, um celular de última geração e um carro "do ano", muitas vezes em prestações à perder de vista, não pode e nem deveria ser alardeado, até por alguns analistas renomados, como fator de mobilidade social e modificação da estrutura socioeconômica. O Brasil de 2012, assim como o de 2002, embora com avanços inimagináveis em décadas passadas, continua a ser o campeão de concentração de renda e injustiça social. 

No alvorecer do século XXI, ainda é com trabalho digno e bem remunerado; acesso a habitação e saneamento básico; saúde e educação públicas e de qualidade, que se configuram como direitos fundamentais, é que poderemos vislumbrar uma nação mais justa e menos desigual.

O artigo a seguir, de Claudio Bernabucci para a Revista Carta Capital é interessante para uma reflexão acerca do debate sobre crescimento da chamada "classe média", mudança social e o panorama político atual.

Classe Média, que significa? - Revista Carta Capital (14.07.2012)

O compromisso silencioso entre o operário eleito presidente da República e a chamada elite brasileira - criar um mercado interno significativo e promover o crescimento de uma nova classe média - representa a autêntica obra prima deste líder político indiscutível. Há quem diga que tal compromisso tenha premiado mais os ricos do que os pobres. Fato é que o processo desencadeado por Lula abriu uma dinâmica socioeconômica de baixo para cima que parece irresistível e, talvez, irreversível.

Leia mais:
Classe média, que significa? | Carta Capital

Comentários