Pacto Global: Direitos Humanos para além das boas intenções

São absolutamente válidas as ações lançadas a partir dos princípios da agenda Pacto Global das Nações Unidas na busca de incentivar iniciativas responsáveis do mundo corporativo.

Os princípios, 10 (dez) ao todo, e derivados da Declaração Universal de Direitos Humanos se distribuem em quatro eixos principais: Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Ações Contra a Corrupção.

Ver: http://www.pactoglobal.org.br/artigo/56/Os-10-principios

A partir de uma rede ampla de empresas e instituições públicas e privadas envolvidas, ações e projetos são desenvolvidos com base nas propostas elencadas pelos princípios e objetivos da agenda, com acompanhamento de metas e indicadores a serem atendidos.

As empresas podem engajar-se na rede e contribuir sobremaneira para a concretização dos desafios propostos e assim obter os benefícios diretos e indiretos de uma ação que objetiva minorar os efeitos de desigualdades, injustiças e degradação ambiental que o desenvolvimento sem bases sustentáveis historicamente nos legou.

No que diz respeito aos princípios diretamente ligados ao eixo Direitos Humanos, há no Brasil talvez um desafio ainda maior a ser superado. Num país que detém um histórico de injustiças sociais e econômicas construído a partir da lógica perversa de uma estrutura social alicerçada em um passado escravista não serão apenas ações paliativas as capazes de sensibilizar uma sociedade que se habituou a tratar a questão dos Direitos Humanos, tão cara à Democracia e ao Estado de Direito, com o jargão distorcido e preconceituoso da “defesa de bandidos”.

Por outro lado, as corporações dispostas a engajarem-se de fato em ações de comprometimento com esses princípios terão de ir além de projetos de responsabilidade social pautados prioritariamente por seus departamentos de marketing e com recursos diminutos, assim como superar as ações de cunho exclusivamente assistencialistas.

Engajar-se na luta pelos Direitos Humanos é uma iniciativa urgente e necessária para o alcance de uma sociedade e de um desenvolvimento construídos sobre bases éticas e sustentáveis. Mas é preciso ir-se além das boas intenções.

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